//Mafra, a recuperação dos carrilhões

Mafra, a recuperação dos carrilhões

Depois do Tribunal de Contas ter dado autorização para o início da empreitada de recuperação dos carrilhões do Palácio Nacional de Mafra, o Partido Ecologista Os Verdes questionou o Ministério da Cultura sobre quando se prevê o arranque das obras.
Na verdade, ainda nada aconteceu em Mafra, o espaço fronteiro ao Palácio continua vedado à passagem de peões devido ao perigo de desabamento das estruturas que suportam os sinos, alguns com mais de 10 toneladas de peso.
A empreitada de recuperação e substituição das madeiras dos carrilhões custará dois milhões de euros e a obra deverá levar dois anos a estar concluída.
O processo de autorização das obras de recuperação dos carrilhões demorou a estar concluído. A decisão foi tomada em 2015, o dinheiro ficou cativo no Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, mas faltou sempre um papel ou um esclarecimento julgados essenciais pelo Tribunal de Contas, até agora.
Ninguém negava a urgência da reabilitação, face ao avançado estado de degradação do monumento e à existência de riscos. As estruturas de suporte de madeira dos sinos apresentam apodrecimento generalizado e existem partes que se encontram em perigo de desabar.
Nas últimas semanas, a DGPC e a Proteção Civil Municipal interditaram a circulação pedonal em frente às torres do Palácio Nacional de Mafra, para evitar acidentes decorrentes da queda de sinos ou outras estruturas, devido ao mau tempo, o que levou o presidente da Câmara de Mafra, Hélder Sousa Silva, a alertar para a demora no início das obras.
Desde 2004, que os sinos, alguns a pesarem 12 toneladas, estão a ser suportados por andaimes, uma solução considerada provisória mas que perdura há quase 15 anos.
Os carrilhões de Mafra foram classificados como um dos “Sete sítios mais ameaçados na Europa”, pelo movimento de salvaguarda do património Europa Nostra, em 2014.
Os dois carrilhões e os 119 sinos, que marcam as horas e os ritos litúrgicos, constituem o maior conjunto sineiro do mundo, sendo, a par dos seis órgãos históricos e da biblioteca, o património mais importante do palácio.
Em 2017, o palácio foi visitado por 377 mil pessoas.